sexta-feira, 10 de julho de 2009

Um terço dos adultos e 70% dos adolescentes consomem açúcar em excesso

Mais de um terço dos adultos e idosos e 70% dos adolescentes consomem açúcar além do limite estabelecido pela OMS e pelo Ministério da Saúde, revela um estudo feito pela USP (Universidade de São Paulo) com mais de 2.000 moradores da cidade de São Paulo.

Além de não ter valor nutricional, o açúcar em excesso foi associado ao déficit de nutrientes. Segundo as autoras, apesar de o Brasil ser um dos principais produtores mundiais de açúcar proveniente da cana, não há estudos populacionais que investiguem esse consumo entre os brasileiros.

Os resultados são fruto de duas pesquisas feitas a partir de um mesmo banco de dados. Uma delas focou na análise dos adultos e idosos e a outra, no consumo dos adolescentes. Os trabalhos investigaram a ingestão do açúcar presente nos alimentos industrializados e do de adição (aquele que é acrescentado aos preparados).

Entre as pessoas com consumo excessivo, o açúcar representa, em média, 12% das calorias ingeridas diariamente, contra os 10% recomendados. Em alguns casos, esse valor chegou a 25%. Embora o valor não seja tão alto, ele causa preocupação.

"O valor de 10% já é o limite. Além disso, o maior consumo de açúcar associou-se à menor ingestão de alguns nutrientes, como proteína, fibras, zinco, ferro, magnésio, potássio, vitamina B6 e folato", diz a nutricionista Milena Bueno, uma das autoras da pesquisa.

Doce vício - Além de causar cáries, os alimentos açucarados levam facilmente ao ganho de peso -fator agravado porque normalmente esses produtos contêm gorduras. E a obesidade está relacionada a várias doenças. Alguns estudos também sugerem que os doces despertem uma espécie de vício. "A pessoa passa a querer mais", afirma Luciana Bruno, nutricionista da Sociedade Brasileira de Diabetes.

A maior prevalência do consumo exagerado ocorre nos adolescentes. Mas a pesquisa revelou que, em média, 37% dos adultos e idosos abusam do doce. Entre as mulheres adultas, 40% ultrapassam os limites, contra 35% dos homens. Nos idosos, as taxas são 30% e 23%, respectivamente.

Os refrigerantes foram os maiores responsáveis pelo excesso de açúcar consumido por adolescentes e adultos. Nos mais jovens, a bebida responde por 34,2% do açúcar ingerido pelos meninos e 32% do açúcar ingerido pelas meninas. Já os alimentos achocolatados em pó representam 11% do consumo.

Entre os idosos, a principal fonte foi o açúcar de adição. "Provavelmente pelo consumo em cafés e chás", acredita a nutricionista Milena Bueno. Mas itens como bolachas recheadas, bolos prontos, sucos industrializados e cereais matinais também contribuíram.

Amostra representativa - A pesquisa ouviu 793 adolescentes, 689 adultos e 622 idosos. Os voluntários, todos residentes em São Paulo, foram selecionados a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, e responderam a um questionário detalhado sobre a consumo de alimentos no dia anterior. "É uma amostra que pode ser considerada representativa do município de São Paulo", diz a nutricionista Ana Carolina Colucci, também autora do trabalho.

"Podemos extrapolar os dados para regiões com as mesmas características, ou seja, a população urbana de grandes cidades brasileiras", acrescenta Milena Bueno.

Outras conclusões do estudo revelaram que mulheres consomem mais açúcar do que os homens e que não há diferenças significativas em função do nível socioeconômico.

"Não esperávamos encontrar essa alta prevalência de adolescentes com consumo acima do limite máximo", diz Ana Carolina Colucci.

"Isso é preocupante principalmente se considerarmos que o açúcar de adição não são componentes essenciais à dieta, devendo ser inseridos de maneira restrita tanto em relação à frequência quanto à quantidade em uma alimentação saudável", lembra ela.

Para diminuir a dose diária de açúcar, é possível mudar alguns hábitos, como evitar acrescentar o alimento a sucos e vitaminas e diminuir as colheradas em bebidas como café e chás. "Também vale substituir o açúcar branco pelo demerara ou pelo mascavo, que têm a mesma quantidade de calorias, mas menos aditivos químicos", recomenda a nutricionista Luciana Bruno. (Fonte: Folha Online, jul/2009)

Substância da Ilha de Páscoa pode retardar envelhecimento, diz estudo

Uma substância encontrada no solo da Ilha de Páscoa - a rapamicina - pode ajudar a combater o processo de envelhecimento, segundo uma pesquisa de cientistas americanos publicada na revista especializada Nature.

Quando os cientistas usaram a rapamicina para tratar camundongos idosos, sua expectativa de vida aumentou em até 38%.

A pesquisa aumenta as perspectivas de se conseguir retardar o processo de envelhecimento em idosos.

Mas uma especialista britânica advertiu contra o uso da droga para este fim, já que a rapamicina também afeta o sistema imunológico.

Medicina - A rapamicina foi descoberta pela primeira vez na Ilha de Páscoa, nos anos 70.

Ela já é usada para evitar a rejeição de órgãos transplantados em pacientes e em tubos implantados em pacientes para manter suas artérias coronárias abertas. A substância também está sedo testada como um possível tratamento para câncer.

Os pesquisadores em três centros americanos, no Texas, Michigan e Maine, deram a substância para os camundongos com idade equivalente a 60 anos em humanos.

A rapamicina aumentou a expectativa de vida dos roedores entre 28% e 38%.

Os pesquisadores estimam que, em termos humanos, este aumento poderia ser ainda maior se tanto câncer como doenças cardíacas também fossem evitadas e curadas no processo.

O pesquisador Alan Richardson, do Barshop Institute, disse: "Faço pesquisas sobre envelhecimento há 35 anos, e já houve várias das chamadas intervenções 'anti-envelhecimento' que nunca obtiveram sucesso".

"Nunca pensei que poderíamos encontrar uma pílula anti-envelhecimento para as pessoas durante minha vida, mas a rapamicina parece prometer justamente isso."

"Acreditamos que esta seja a primeira evidência convincente de que o processo de envelhecimento pode ser retardado e a expectativa de vida estendida por uma terapia com drogas começando em uma idade avançada", disse Randy Strong, do Texas Health Science Center.

Restrições calóricas - A rapamicina parece ter um efeito semelhante à uma dieta de redução calórica, que já se mostrou ser eficaz em aumentar a expectativa de vida.

Ela afeta uma proteína das células chamada mTOR, que controla vários processos envolvidos no metabolismo e resposta a situações estressantes.

Os pesquisadores tiveram que encontrar uma maneira de reformular a droga para que ela ficasse estável o suficiente para chegar até o intestino dos camundongos antes de começar a se decompor.

O objetivo original era começar a ministrar a rapamicina para os camundongos aos quatro meses de idade, mas o atraso devido à nova formulação fez com que o tratamento só começasse quando as cobaias já tinham 20 meses de idade.

Os pesquisadores acreditavam que os camundongos já estariam muito velhos para que a droga tivesse algum efeito e se surpreenderam com o resultado.

"Esse estudo claramente identificou um potencial terapêutico para o desenvolvimento de drogas com o objetivo de prevenir doenças ligadas ao envelhecimento e aumentar a expectativa de vida", disse Strong.

"Se a rapamicina ou drogas similares funcionarem como imaginamos, a potencial redução de custo para serviços de saúde é enorme."

'Não tente em casa' - A médica Lynne Cox, especialista em envelhecimento da Universidade de Oxford, descreveu o estudo como "animador".

Segundo ela, "é especialmente interessante que o remédio tenha sido eficiente mesmo quando dado a camundongos idosos, já que seria muito melhor tratar o envelhecimento em pessoas mais velhas do que usar drogas como essas por toda a vida."

Mas, ela acrescentou, "de modo algum ninguém deve pensar em usar este remédio em particular para aumentar sua própria expectativa de vida, já que a rapamicina é imuno-supressora".

"Enquanto que os camundongos de laboratório são protegidos de infecções, isso é simplesmente impossível entre a população humana."

"O que o estudo faz é ressaltar um importante caminho molecular para o qual novas e mais específicas drogas podem ser criadas."

"Se é sensível tentar aumentar a expectativa de vida é outra questão; talvez, aumentar a expectativa de vida saudável, e não de vida, seja um objetivo melhor." (Fonte: Estadão Online, jul/2009)

Cafeína reverte perda de memória em ratos com Alzheimer, aponta estudo

Ratos criados em laboratório e programados para desenvolver sintomas do Mal de Alzheimer na velhice tiveram problemas de memória revertidos depois de ingerir 500 mg de cafeína por dia, segundo um estudo do Alzheimer's Disease Research Center da University of South Florida, nos Estados Unidos.

Uma outra pesquisa, da mesma universidade, revelou que a cafeína diminuiu significativamente níveis anormais da proteína beta-amilóide - associada ao Mal de Alzheimer - tanto no cérebro como no sangue de ratos que apresentavam sintomas da doença.

Os dois trabalhos, publicados na revista científica online Journal of Alzheimer's Disease, deram continuidade a pesquisas anteriores, segundo as quais a ingestão de cafeína no início da fase adulta preveniu problemas de memória em ratos criados para apresentar o Mal de Alzheimer na velhice.

Comentando o estudo, outros especialistas alertaram, no entanto, que são necessárias mais pesquisas sobre o assunto, e que suplementos de cafeína para idosos não são recomendados.

Resultados promissores - "Os novos resultados oferecem evidências de que a cafeína pode ser usada como um tratamento viável para o Mal de Alzheimer quando já estabelecido, e não simplesmente como uma estratégia de proteção", disse o principal autor do estudo, Gary Arendash.

"Isso é importante porque a cafeína é uma droga segura para a maioria das pessoas, entra com facilidade no cérebro e parece afetar diretamente o processo da doença".

Baseados nos resultados obtidos em ratos, os pesquisadores esperam iniciar pesquisas com humanos para avaliar se a cafeína poderia beneficiar pessoas no estágio inicial da doença.

A equipe já conseguiu estabelecer que a cafeína ingerida por idosos sem sinais de demência rapidamente afeta os níveis da proteína beta-amilóide no seu sangue - da mesma forma como nos ratos com Mal de Alzheimer.

Segundo Huntington Potter, diretor do Alzheimer's Disease Research Center, que participou dos estudos, a redução na quantidade da proteína beta-amilóide está associada a benefícios para a atividade cognitiva.

Experimentos - Quando tinham entre 18 e 19 meses de idade - o que equivale a cerca de 70 anos em humanos - 55 ratos foram submetidos a testes de comportamento para que os pesquisadores confirmassem que tinham de fato problemas de memória.

Depois disso, metade dos ratos teve cerca de 500 mg de cafeína adicionada à água que bebiam diariamente. O restante continuou bebendo água pura.

Segundo os pesquisadores, essa quantidade de cafeína equivale a dois cappuccinos de máquina, 14 copos de chá ou 20 refrigerantes que contêm cafeína (como Coca-Cola, por exemplo).

Após dois meses, os ratos foram testados novamente. Os que ingeriram cafeína tiveram desempenho muito melhor nos testes de memória e habilidade cognitiva. Seus resultados foram tão bons quanto os de ratos da mesma idade sem problemas de memória.

Os que beberam água pura continuaram a ter baixo desempenho nos testes.

Os especialistas constataram que os cérebros dos ratos que ingeriram cafeína apresentaram uma redução de 50% na presença da proteína beta-amilóide, que forma aglutinações no cérebro de pessoas com demência.

De acordo com outros testes, a cafeína afeta a produção de duas enzimas necessárias para a formação da proteína beta-amilóide. A cafeína também estaria associada à supressão de processos inflamatórios que levariam a uma presença mais abundante da proteína.

Em entrevista à BBC, Gary Arendash, o principal autor do estudo, afirmou:

"Esses resultados são particularmente importantes porque reverter problemas de memória pré-existentes é muito mais difícil".

A equipe não sabe se uma quantidade menor de cafeína poderia ser tão efetiva, mas disse que a maioria das pessoas pode consumir com segurança 500 mg diários da substância.

Pessoas com pressão alta e mulheres grávidas, no entanto, devem limitar seu consumo diário de cafeína, dizem os pesquisadores.

Comentando os estudos, a diretora do Alzheimer's Research Trust da Grã-Bretanha, Rebecca Wood, e o diretor da Alzheimer's Society, Neil Hunt, disseram que ainda é cedo para saber se tomar café ou suplementos de cafeína pode ajudar pessoas com o Mal de Alzheimer.

Segundo eles, é preciso esclarecer se a substância teria o mesmo efeito em humanos. (Fonte: Estadão Online, jul/2009)

Dieta de baixa caloria prolonga a vida e a saúde de macacos

Um estudo realizado ao longo de 20 anos determinou que cortar calorias em cerca de 30% reduz o envelhecimento e ajuda a adiar a morte. Em macacos.

Não se trata de uma dieta rápida para perder alguns quilos. Cientistas já sabiam que é possível prolongar a vida de camundongos e de criaturas mais primitivas - moscas, vermes - com cortes profundos e prolongados no que seria o consumo normal de energia.

Agora surge a primeira evidência de que a mesma conduta adia a manifestação das doenças do envelhecimento em primatas, também - macacos reso do Centro de Primatas Nacional de Wisconsin, EUA. Os pesquisadores relatam suas descobertas na edição desta semana da revista Science.

E quanto a um outro animal da família dos primatas, os seres humanos? Ninguém ainda sabe ainda se as pessoas, num mundo de consumo exagerado, seriam capazes de suportar a privação por tempo suficiente para que ela fizesse diferença, muito menos como ela iria afetar nossos corpos, mais complexos. No entanto, há várias tentativas em andamento.

"O que realmente gostaríamos nem é tanto que as pessoas vivessem mais, mas que vivessem com mais saúde", disse o médico David Finkelstein, do Instituto Nacional do Envelhecimento. Os macacos de Wisconsin parecem ter feito as duas coisas.

"O fato de haver menos doenças nesses animais é notável", afirmou Finkelstein.

As possibilidades da restrição calórica datam de estudos com roedores realizados nos anos 30. Mas hoje é um tema quente entre os pesquisadores que buscam entender os diferentes processos que levam o corpo humano a falhar com a idade, de forma que alguns talvez possam ser revertidos.

Macacos reso em cativeiro têm uma expectativa de vida média de 27 anos, e portanto notar o efeito neles demora mais que nos camundongos de vida curta. O estudo mais recente envolve 76 animais - 30 que são acompanhados desde 1989, e 46, desde 1994. Eles eram adultos de tamanho normal e em dieta normal para um macaco em cativeiro, que consiste em uma mistura enriquecida com vitaminas e algumas frutas.

Os cientistas destinaram metade dos macacos para uma dieta de restrição calórica, cortando o consumo diário de calorias em 30%, mas garantindo que não ficassem desnutridos.

Até agora, 37% dos macacos mantidos na dieta normal morreram de doenças ligadas ao envelhecimento. Entre os que receberam menos calorias, a taxa é de 13%. Alguns macacos morreram de outras causas, como ferimentos, que não são tidas como ligadas à nutrição.

A morte não foi a única diferença. Os macacos com poucas calorias tiveram menos da metade da incidência de tumores malignos e de doenças do coração que os demais. Imagens do cérebro mostraram um encolhimento menor causado pela idade. Eles também preservaram mais massa muscular.

O principal pesquisador responsável pelo estudo, Richard Weindruch, da Universidade de Wisconsin, acredita que a mudança de dieta está reprogramando o metabolismo dos animais, de um modo que reduz o envelhecimento.

O governo dos EUA está financiando um estudo em pequena escala para ver se algumas pessoas de peso normal são capazes de conviver com um corte calórico de 25% por dois anos, e se esse corte produzirá indicadores de que os problemas da idade podem estar sendo adiados.

Finkelstein adverte que ninguém deve tentar uma restrição calórica por conta própria: cortar os nutrientes de forma errada pode trazer problemas sérios de saúde. Seu conselho para quem busca longevidade: "Tome cuidado com o que come, mantenha uma mente ativa, faça exercícios e não seja atropelado". (Fonte: Estadão Online, jul/2009)

Vegetais mantiveram habitat ao longo de milhões de anos

As espécies do reino vegetal quase não mudaram de habitat ao longo de dezenas de milhões de anos, e o sucesso de sua evolução se cimentou nas mudanças climáticas que estenderam as terras apropriadas para seu crescimento.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Nacional Australiana explica na revista científica britânica "Nature" que as espécies vegetais herdaram seu conservadorismo ecológico desde tempos imemoráveis.

A equipe chegou a essa conclusão após estudar a distribuição atual e ancestral por biomas - partes do planeta que compartilham clima, vegetação e fauna - de 11,064 mil espécies vegetais do hemisfério sul.

Essas espécies, que constituem 15% da flora total do hemisfério sul, são autóctones da África, Madagascar, Austrália, Nova Guiné, Nova Caledônia, Nova Zelândia e América do Sul.

Os especialistas, dirigidos por Michael Crisp, atribuíram as espécies a sete biomas, incluindo o alpino e a savana.

Apesar de os vegetais terem se distribuído rapidamente nos últimos 50 milhões de anos, formando dezenas de milhares de novas espécies, raramente mudaram de habitat.

Ao longo de dezenas de milhões de anos, só 3,6% das espécies vegetais estudadas mudou de bioma: as linhagens raramente colonizam novos habitats.

Os cientistas explicam que este dado se aplica a todas as espécies, dos grupos mais modernos de ervas e legumes às antigas plantas de Gondwana (supercontinente primitivo), como as Cycadophytas.

Assim, indicam os especialistas, o estatismo em função do bioma foi muito superior às mudanças, em uma relação de 25 para 1.

Como os clados - conjuntos de espécies com um ancestral comum - têm uma limitada capacidade herdada de mudar de bioma, seu potencial evolutivo é fortemente determinado pela contração ou expansão do bioma em função das mudanças do clima.

A equipe de pesquisa afirma que essas descobertas contribuem para conhecer os mecanismos de invasão e sobrevivência das espécies vegetais que enfrentam a mudança climática. (Fonte: Yahoo!)