terça-feira, 21 de julho de 2009

Invasões biológicas, uma ameaça à biodiversidade


As invasões biológicas ainda não constam dos currículos escolares do Brasil, embora já constituam a segunda grande causa de perda de biodiversidade em todo o mundo.

As invasões biológicas ainda não constam dos currículos escolares do Brasil, embora já constituam a segunda grande causa de perda de biodiversidade em todo o mundo. Nos Estados Unidos, a área tomada pelas espécies exóticas invasoras aumenta em cerca de 2 mil hectares por dia (cada hectare equivale a uma quadra urbana de 100m x 100m). As invasões e seus custos aumentam em progressão geométrica ao longo do tempo. Por exemplo, uma árvore invasora isolada que produza em 5 anos 100 novas plantas terá como descendência, em outros 5 anos, 100 x 100 novas plantas, ou seja, 10.000 plantas; e assim sucessivamente.

As espécies são chamadas de exóticas quando introduzidas em ecossistemas do qual não fazem parte. Podem ser de plantas, de animais ou de microorganismos. Muitas dessas espécies não conseguem se adaptar e desaparecem. Outras se adaptam, se reproduzem e invadem o ambiente, expulsando espécies nativas e alterando seu funcionamento. Nesses casos, são denominadas espécies exóticas invasoras. Muitas espécies invasoras passam desapercebidas, apesar de estarem estabelecidas em nosso meio. A dificuldade é que em muitos casos é necessário um certo conhecimento botânico para identificá-las, o que se torna mais fácil quando destoam da paisagem natural.


Um exemplo brasileiro com impactos negativos tanto no meio quanto na capacidade de produção é a invasão de capim-annoni (Eragrostis plana) no Rio Grande do Sul. Originária da África do Sul, a espécie foi introduzida em mistura com sementes de outra forrageira e então selecionada e comercializada por um fazendeiro chamado Annoni. Anos depois, percebeu-se que o gado não se alimentava da planta, extremamente fibrosa, mas já era tarde demais para conter a invasão. Em 1989, quando o Ministério da Agricultura proibiu o comércio da espécie, já havia 30 mil hectares de campos naturais invadidos e dominados. Atualmente, a unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Pelotas-RS estima que já estão ocupados mais de 500.000 hectares no estado, com elevados prejuízos para a produção pecuária. O capim annoni já está em Santa Catarina e no Paraná, onde é comum ao longo de rodovias e de estradas rurais. Sem ações de controle, o aumento da invasão é apenas uma questão de tempo.

Essa é outra característica das invasões biológicas: ao contrário de grande parte dos impactos ambientais, que são lentamente absorvidos pelo meio, as invasões se agravam com o tempo e, na maior parte dos casos, o processo só é reversível com interferência humana. Nos Estados Unidos, estima-se em 137 bilhões de dólares anuais as despesas do país com o controle dessas espécies nas áreas da agricultura, da saúde e do ambiente.

Outros exemplos de espécies em processo invasor no Brasil são cinamomo, do Paquistão; uva-do-japão, da China e Japão; cedrinho, de Portugal; acácia-negra, da Austrália; nêspera, do Japão; tojo, da Europa; eucalipto, da Austrália; braquiária e capim-gordura, da África; maria-sem-vergonha, da Ásia; lírio-do-brejo, da Ásia; pinus, da América do Norte; amarelinho, do México; e leucena, da África, entre muitas outras. Entre os animais, destacam-se o javali, que vem causando prejuízos ao cultivo de arroz no Rio Grande do Sul; peixes exóticos como a carpa, a tilápia e o bagre africano, que escapam ao cultivo e depredam as populações de peixes nativos; o lagarto Tupinambis, em Fernando de Noronha, que se alimenta dos ovos de aves nativas; búfalos, cachorros e gatos asselvajados. Na área da saúde, também não faltam exemplos de invasões biológicas: a febre aftosa, o vírus ebóla, o vírus da Aids, a dengue, transmitida por um inseto de origem egípcia, e a própria peste negra que assolou a Europa na Idade Média.

Todos os exemplos acima ilustram um mesmo problema, que tem conseqüências sociais, ambientais e econômicas. É tarefa de cada um ajudar, não cultivando nem transportando espécies consagradas como invasoras. O setor produtivo tem o papel de implantar medidas de prevenção e controle e de buscar alternativas de espécies não invasoras para produção, preferencialmente nativas.

As espécies dos gêneros Pinus e Eucalyptus são a base da produção florestal em todo o mundo e apresentam elevada importância econômica. O plantio comercial não constitui um problema em si, mas ainda carece de manejo adequado para controle da dispersão de sementes e mudas. A dispersão de plantas a partir dos núcleos de reflorestamento é que constitui hoje um problema, não apenas nos campos do Sul do Brasil, mas também na Argentina, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália e certamente em outros países para os quais ainda não há registros oficiais. Esses núcleos de dispersão não estão, porém, limitados a plantios comerciais. Existem inúmeros pequenos plantios de árvores ao longo de estradas ou para fins ornamentais em fazendas que contribuem em muito para o processo de invasão. Por isso, o engajamento da sociedade na contenção das invasões biológicas é crucial, para que não se cultivem espécies invasoras e para eliminar as que se encontram estabelecidas.

A melhor garantia de sucesso para conter uma invasão é a sua detecção precoce e a adoção imediata de medidas de controle. Para tanto, é preciso investir em conhecimento científico e no esclarecimento do público, pois a tomada de responsabilidade de cada indivíduo, proprietário rural, empresário ou amante de plantas ornamentais, é a chave para a solução do problema.

Redação Ambiente Brasil

Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii)




Toda azul, lados da cabeça acinzentados, bico negro franzino, provido de grande dente na maxila.

Classe: Aves

Ordem: Psittaciformes

Família: Psittacidae

Nome científico: Cyanopsitta spixii

Nome vulgar: Ararinha-azul

Categoria: Extinta

Características: Toda azul, lados da cabeça acinzentados, bico negro franzino, provido de grande dente na maxila. Ìris parda-amarelada. Cabeça azul-clara, bochechas cinéreo claras. Durante o vôo parece quase negra, não há o menor vestígio de verde em toda plumagem. Gostam de empoleirar-se sobre as pontas dos galhos secos. Realizam migrações locais, quando freqüenta também buritizais. A espécie fazia ninhos em grandes buracos nos troncos de árvores, principalmente em caraibeiras.

Alimentação: Pinhão, frutos e sementes (Jatropha mollissima).

Asa: 295 mm - Cauda: 355 mm - Bico: 33 mm - Tarso: 26 mm.

Reprodução: setembro. Estima-se que os jovens comecem a sair do ninho aos 4 meses.

Comprimento: Mede 56 cm da cabeça à ponta da cauda.

Ocorrência Geográfica: Habitat natural é a caatinga seca e florestas ciliares abertas de pequenos afluentes temporários do Rio São Francisco. Ocorria no extremo norte da Bahia, ao sul do Rio São Francisco, na região de Juazeiro. Atualmente, porém, resta um único exemplar conhecido na natureza (um macho) e cerca de 20 em cativeiro. Desde o início da década de 90 há um projeto para a localização de outros indivíduos e a recuperação da espécie pela reintrodução na natureza daqueles atualmente em cativeiro. Entretanto, a tentativa de acasalamento do macho em liberdade com uma fêmea nascida em cativeiro, feita recentemente, não obteve sucesso. Semiárido. Também é encontrada no sul do Piauí e no oeste de Pernambuco.

Categoria/Critério: Rara. Captura ilegal pelos traficantes e do comércio clandestino. Intensa degradação do seu hábitat.

Cientista que descreveu: Wagler, 1832.

Observações adicionais: A espécie está praticamente extinta na natureza, situação provocada pelo comércio ilegal de aves rara, sobretudo para o exterior. É considerada a ave mais rara do mundo. Atualmente existe apenas um representante em liberdade, encontrando-se na Bahia, mais precisamente na cidade de Curaçá (a 600 km de Salvador), em meio ao sertão.

Rã-de-cera (Phyllomedusa hypocondrialis)






Cabeça, dorso, barriga e patas têm cor verde-brilhante, com as costas e pernas salpicadas de manchas brancas.

Classe: Amphibia

Ordem: Anura

Família: Hylidae

Nome científico: Phyllomedusa hypocondrialis

Nome vulgar: Rã-de-cera

Características físicas: a fêmea costuma ser maior do que o macho. Cabeça, dorso, barriga e patas têm cor verde-brilhante, com as costas e pernas salpicadas de manchas brancas. O corpo é envolvido por uma substância protetora, uma espécie de cera, que mantêm a umidade do corpo permitindo que ela viva em locais secos. As pupilas são elípticas e a glândula paratireóide saliente. Atinge 10 cm, sendo que metade desse tamanho corresponde ao tamanho dos membros inferiores.

Alimentação: insetos, como besouros, grilos e moscas.

Biologia e comportamento social: noturna e arborícola, vive próxima à água, ambiente fundamental para sua sobrevivência e reprodução. Gosta de ficar próximo a folhas e plantas que retêm água, tais como bromélias. A fêmea não emite qualquer som e o macho o faz apenas na época da reprodução.

Reprodução: no período de chuvas, o macho começa a "cantar" e assim atrai a fêmea. Então ela expele os ovos e o macho cobre de esperma, enrolando-os em folhas. Esse "ninho" de folhas fica sob uma poça d'água e por isso, após a eclosão, os girinos já "pingam" para o ambiente aquático, onde iniciarão a metamorfose.

Predadores: cobras arborícolas.

Longevidade: média de 10 anos.

Habitat: campos e cerrados.

Fonte parcial: Guia Ilustrado de Animais do Cerrado de Minas Gerais. 2.° edição. CEMIG. Editare Editora.2003.

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)



É um animal muito útil ao homem, pois come apenas formigas e cupins. Abre os cupinzeiros e os formigueiros com as garras poderosas.

Classe: Mammalia

Ordem: Edentata

Família: Mymercophagidae

Nome científico: Mymercophaga tridactyla

Nome vulgar: Tamanduá-bandeira

Categoria: Ameaçada

Características: É um animal muito útil ao homem, pois come apenas formigas e cupins. Abre os cupinzeiros e os formigueiros com as garras poderosas e introduz neles a longa língua (língua filiforme), cujo diâmetro oscila entre 10 e 15 mm, pode projetar-se 60 cm para fora da boca, na qual os insetos ficam grudados, desta forma apenas os engole. Suas mandíbulas são lisas, não têm dentes, sendo uma exceção entre os mamíferos, que geralmente possuem duas dentições. Ocorre no cerrado, em florestas úmidas e savanas. Vive solitário nas florestas úmidas e savanas de todo o Brasil. Como é lento ao locomover-se, além de enxergar e escutar pouco oferece pouca resistência aos caçadores. Sua coloração geral é cinza acastanhada, apresentando banda preta que sobe do peito até metade do dorso, ladeada por duas linhas de pêlos brancos. A linha superior começa abaixo das orelhas, e é estreita. A cobertura do corpo é constituída de pêlos. As orelhas e olhos são pequenos. A cauda comprida é portadora de longos pêlos que formam uma espécie de bandeira, o que serviu para adjetivação de nome vulgar. A ponta do focinho, os lábios, as pálpebras e as solas dos pés são nuas. Para andar, o animal dobra as unhas contra as palmas, passando apenas o dorso da pata no solo. É um animal de hábitos diurnos, dorme no mesmo local onde anoitece. É silencioso, só se ouvindo seu grunhido quando esta enfurecida. É absolutamente inofensivo para o homem e aos outros mamíferos. Visão medíocre guia-se pelo olfato. É bom nadador. Galopa pesadamente em caso de perigo.

Peso: até 25 kilos

Comprimento: Comprimento da cabeça e corpo é de 1 a 1,2 m, cauda de 60 a 90 cm

Ocorrência Geográfica: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal, Campos do Sul, Honduras e Norte da Argentina.

Cientista que descreveu: Linnaeus, 1758

Categoria/Critério: Ameaçada/vulnerável - Redução da população de pelo menos, 20 por centro projetada ou suspeita para os próximos 10 anos ou 3 gerações baseado em declínio da área da ocupação, extensão de ocorrência e/ou qualidade do habitat. É espécie considerada vulnerável pela IUCN (1972), apêndice 2 da CITES

Observações adicionais: O tamanduá-bandeira passeia calma e tranquilamente com seu longo focinho cônico voltado para o chão. Ele está procurando alimento. Seu olfato bem desenvolvido vai levá-lo fielmente ao alvo. Uma vez encontrado o formigueiro, o tamanduá cava a terra com suas fortes garras e mete o focinho no buraco. Sua língua pegajosa, de mais de meio metro de comprimento, explora as galerias do formigueiro. Depois de pegar um número grande de formigas, o tamanduá recolhe a língua. O tamanduá não possui dentes. O estranho desdentado caça de dia nos campos cerrados e nas florestas da América Central e do Sul, desde a Guatemala até a Argentina. Quando vive próximo das cidades, ele sai principalmente à noite. Vive no chão, mas sobe bem nas árvores e é capaz de nadar. É cauteloso, pacífico e solitário. Defende-se com as fortes garras das patas dianteiras. Seu principal alimento são as formigas, os cupins e larvas. Come também vermes e pequenas centopéias. Na primavera, a fêmea dá a luz um filhote que carrega nas costas até cerca de um ano de idade. O período de gestação é de 190 dias.



Fonte: MMA/SINIMA

Orca (Orcinus orca)




Classe: Mammalia

Ordem: Cetacea

Família: Delphinidae

Nome científico: Orcinus orca

Nome vulgar: Orca

Categoria: Ameaçada

Popularmente chamada de baleia-assassina. Pertence a família Delphinidae. Desde a Antártida até o Ártico, ocorre em todos os oceanos. Nos machos, o comprimento varia de 5,20m a 9,70m, com mais de 8.000kg de peso, e nas fêmeas de 4,50m a 8,50m, com 4.000kg de peso. É basicamente animal gregário, formando grupos de até 100 indivíduos. Pode nadar à velocidade de 4 km/h. Tem dieta bastante variada: peixes, como o salmão, pinípedes, pinguins, outras aves marinhas e tartarugas.